A 48ª DRP, Delegacia Regional de Polícia, de Assis Chateaubriand está com até três vezes mais presos do que a capacidade tolerável. Segundo dados repassados pela própria polícia, a delegacia conta com 72 detentos, sendo 57 homens, nos quais 26 já estão condenados, e 15 mulheres, destas 4 condenadas. A capacidade da delegacia é de 24 detentos.
Em 80% dos casos, os detentos são acusados de tráfico de drogas. A maioria não tem advogado ou foi “abandonado” pelos defensores. Desse modo, esperam meses por uma audiência com o juiz. Sem audiências, permanecem presos e aglomeram-se com outros detentos, que chegam diariamente.
No verão, proliferam os problemas de pele, como a sarna e alergias. No inverno, gripes e resfriados são comuns.
A 48ª DRP conta com nove celas, sendo uma destinada as detentas femininas. As celas em torno de 2,5m por 2,5m são pequenas para abrigar o número de detentos. Os detentos são obrigados a dormir no chão, e em forma de revesamento.
A situação se complica ainda mais, nos dias de visita, principalmente na cela feminina, quando recebem a visita de familiares, em aproximadamente oito metros quadrados.
A reportagem do Jornal Gazeta Independente ouviu alguns detentos os quais além de reclamarem da super lotação, estão insatisfeitos com o atendimento médico, que seria necessário pelo menos uma vez por mês. A falta de medicamentos e a falta de espaço para o “banho de sol”, onde os detentos possam se exercitarem, foi outro problema levantado.
Os 72 detentos fazem revezamento para dormir, um dos detentos contou que em algumas celas dormem todos amontoados.”Falta colchões, e muitas vezes temos que dormir no piso mesmo”, finaliza o detento.
Em muitas celas a parte hidráulica e elétrica preocupa, colocando até mesmo a integridade física dos detentos em risco.
Outra situação que preocupa e deixa a delegacia super lotada é a demora nos processos judiciais. “Muitos aqui poderiam estarem livres, mais como não temos advogados aguardamos mais que o necessário”, diz um dos presos.
O problema ainda é maior na cela feminina, onde não há entrada de luz agravando ainda mais os problemas de saúde já citados. As detentas ainda contam que dividem a “jeca”, cama. “Fazemos sistema de revezamento, entre cama e chão”, declarou a detenta.
Soluções
Está programado para o fim do ano a construção de quatro celas, com capacidade total de 48 presos. Já está sendo construída celas para abrigar menores infratores.
Novos policiais foram solicitados juntos a Secretaria de Segurança Pública, e devem chegar nos próximos dias, diz o delegado Danilo Zarlenga Crispim.
O delegado ainda diz que com as novas celas o problema da superlotação pode ser amenizado. Destaca ainda que os pedidos de transferências são feitos junto ao judiciário, e tem que se esperar vagas nos presídios.
Mesmo com o número excessivos de presos Crispim afirma que a há uma certa tranquilidade na delegacia, lembra ainda que a última rebelião faz mais de um ano. “Trabalhamos forte para que a ordem prevaleça” destacou.
A delegacia conta com três investigadores, dois carcereiros e dois estagiários, além do delegado e da escrivã.
Nenhum comentário:
Postar um comentário